DIÁRIO DE UM OPERADO, NOVA FASE, PARTE 4: DESEJOS.
Estava completamente arrebentado. O sangue escorria pelo rosto pingando por toda a sala, manchando o tapete, o sofá; a visão ficou turva e a roupa toda ensanguentada como se uma ferida mortal tivesse no corpo.
– Está tudo bem. Estou bem! Gritava para que ela não se assustasse tanto ao me ver naquele estado terrível, mas na verdade não estava nada bem...
Quando pequeno, gostava de ficar rouco; gritava, berrava quando podia só pra tentar provocar o efeito diferente na voz; era como se eu fosse um novo personagem, mas quase nunca acontecia, pra minha frustração.
Outro estranho desejo infantil era o de quebrar um braço ou uma perna, tudo pra vivenciar a experiência de ter um gesso assinado pelos colegas; outro fato que não aconteceu durante meu período escolar. Já com cerca de 20 anos, porém, num grave acidente de bicicleta finalmente quebrei a mão esquerda e, de quebra – perdoe o trocadilho – estropiei a cabeça na altura do supercílio e a boca, as quais geraram a sangueira já mencionada, que quase desesperou minha mãe quando me viu. Não tinha me dado conta, mas bati também a perna na ocasião, o que possivelmente pode ter influenciado alguma coisa no problema atual do joelho.
Na última cirurgia não fui engessado, mas estive por longos quarenta e poucos dias com uma tala imobilizadora no joelho, que por algumas vezes pensei em pedir aos amigos para assinarem, mas acabou não acontecendo. E tanto dessa vez, quando no acidente percebi que definitivamente não é legal quebrar nem operar nada; aos que me leem, não tentem repetir esses passos.
A recuperação, entretanto, segue a passos largos, – apenas mais uma expressão que não faz muito sentido atualmente, mas que gosto de usar – sigo fazendo muitos exercícios de fortalecimento, flexão e extensão, além de alongamentos e manipulações sob a supervisão da excelente profissional que é minha fisioterapeuta. Com os passos cada vez mais firmes, só me falta dobrar o joelho ao caminhar, mas isso ainda parece distante devido a dor que ainda sinto; já chegamos a 110º de flexão.
Como a confiança em andar vai aumentando, às vezes levanto no meio da noite e sem me dar conta piso normalmente à beira da cama; recebo um verdadeiro choque que vai da ponta dos pés à altura da coxa, bem semelhante ao aparelho de choquinhos que ainda espero usar na fisio – o interferencial – sendo que na madrugada não é nada agradável despertar com o susto causado, principalmente por uma provável bursite que começa a me incomodar no tornozelo em função do tempo parado. A propósito, dormir bem ainda é um sonho (e toma-lhe trocadilho; pra fechar, mais um lugar comum:)
Cuidado com o que deseja, você pode acabar conseguindo...
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é isso aí
gesso rsrs
concordo...
e relaxa,, eu acjei q nunca mais ia dobrar meu joelho ou conseguir andar normalmente,,,mas isso passa..
saudades amigo,,
bjs